Entre Viaturas, Promessas e a Essência da Educação: O Caminho para a Segurança Pública.

Entre Viaturas, Promessas e a Essência da Educação: O Caminho para a Segurança Pública.

O anúncio contínuo de distribuição de viaturas tem sido uma marca constante nas últimas gestões do governo da Bahia, mas a persistência da violência nos mostra que a segurança pública não se faz apenas com veículos. Para entender o tamanho desse investimento material, basta olhar para o histórico recente: o governo Jaques Wagner (2007–2014) estruturou a padronização e o modelo de locação ágil de veículo com lotes expressivos que variavam em media de 200 a 400 veículos por etapa; a gestão de Rui Costa (2015–2022) promoveu uma renovação massiva, entregando centenas de caminhonetes de uma só vez e atingindo a marca de quase 100% da frota ativa renovada; e o atual governador, Jerônimo Rodrigues, mantém o ritmo acelerado, ultrapassando a marca de 600 novas viaturas entregues apenas nos primeiros meses de 2025, agora com foco em veículos semiblindados e blindagem total.

No entanto, a realidade de municípios como Camamu — com pelo menos três inauguração do mesmo pelotão mantendo o mesmo efetivo e a vulnerabilidade de distritos distantes, como Travessão, localizado a 42 km da sede — escancara uma falha crônica no planejamento estratégico. Essa política foca excessivamente no impacto visual e no marketing das entregas de frotas, mas deixa de lado a real necessidade da população: o elemento humano. Uma viatura vazia ou sem combustível não inibe o crime organizado.

É urgente que os recursos públicos parem de ser usados como ferramentas de propaganda política e passem a valorizar o capital humano. Isso significa realizar concursos, formar e capacitar continuamente os policiais, oferecer salários dignos, suporte psicológico e estratégias de inteligência e tecnologia avançada para o combate às facções.

Mais do que isso, para que o cenário mude no futuro, o estado precisa olhar para a educação em sua base. O fortalecimento e a segurança das escolas devem ser prioridades urgentes, garantindo que os jovens tenham oportunidades reais de desenvolvimento e não fiquem vulneráveis ao forte apelo do crime e dos jogos, que hoje operam livremente à luz do dia.

Infelizmente, a apatia social, alimentada por uma forte polarização política, tem distanciado o cidadão da cobrança efetiva por resultados. Enquanto a sociedade se perde em defesas cegas de políticos ou foca em futilidades cotidianas, o crime avança. É hora do povo despertar, exercer um controle social rígido sobre seus governantes e exigir que o verdadeiro papel da política — que é representar e proteger o cidadão — seja finalmente cumprido.

O cidadão não defende mais o seu bairro, sua cidade, sua segurança, sua saúde, seu salário, ele defende seu político. Esse é o ponto e o tema principal nas redes sociais.

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