Salvar o Líder ou Salvar o Brasil?

Salvar o Líder ou Salvar o Brasil?

Há um erro de cálculo grave sendo cometido nos bastidores da direita brasileira. A campanha eleitoral começou, mas o foco principal parece não ser o resgate do país de um colapso econômico nem a derrota da esquerda nas urnas — mas sim uma obsessiva exposição da imagem de Jair Bolsonaro a qualquer custo.

​A prioridade virou provar uma indicação e usar a comoção em torno do ex-presidente como único combustível eleitoral. Esquece-se o principal: o Brasil corre o risco de sucumbir se o atual governo petista continuar no poder por mais quatro anos.

Eleição não é tribunal: o uso exaustivo da imagem do pai expõe a falta de plano de governo e cega a direita para os desafios reais do combate à esquerda e ao Judiciário.

​A ilusão das urnas e o choque com a realidade

​Existe uma ingenuidade crônica em achar que basta vencer o pleito para que o ambiente de conflagração termine. Eleger um novo presidente não põe fim mágico às ações do STF — seja por convicção institucional dos ministros, seja por uma atuação alinhada a interesses políticos.

​Pensar que a faixa presidencial por si só anula a pressão do Judiciário é desconhecer a dinâmica dos Poderes em Brasília. Se a oposição subir a rampa sustentando uma postura de pura vingança ou de simples defesa de um passado judicial, o novo governo já nascerá travado, sob constante risco de bloqueios institucionais e novas medidas coercitivas.

​O erro prioritário da campanha

​Enquanto a inflação corrói o salário do trabalhador, a dívida pública explode e a criminalidade ganha terreno, a candidatura de oposição gasta seus melhores minutos de TV e redes sociais em uma disputa de narrativa sobre quem é o herdeiro legítimo.

Focar a campanha unicamente na figura do pai produz dois grandes desastres estratégicos:

  1. Perde o alvo principal: Em vez de expor as feridas da economia atual e apresentar a falência da gestão de Lula, a direita passa o tempo defendendo um legado e brigando com o Judiciário.
  2. Abandona o plano de governo: O eleitor indeciso não quer apenas votar "por lealdade" ou por pena. Ele quer saber quem vai consertar as contas do país, atrair investimentos e conter o avanço da máquina estatal.

Falta o 'Posto Ipiranga' de 2026.
A direita venceu em 2018 porque soube casar o apelo popular com a credibilidade técnica de Paulo Guedes. Ao chegar em 2026 apostando apenas no apelo emocional da família e ignorando a necessidade de apresentar um nome forte para a economia, Flávio deixa o mercado cauteloso e o eleitor de centro sem um porto seguro. Eleição não se vence apenas com lealdade de militância; vence-se garantindo que o país não vai quebrar.

​Eleição não é tribunal

​Qualquer jovem de 18 anos sabe que o objetivo de uma eleição presidencial é apresentar o projeto que vai salvar o país do abismo financeiro, melhorar o salário, o caos da saúde pública etc. Se o plano da oposição se resumir a colocar fotos, vídeos e declarações de Bolsonaro para emocionar a militância, a esquerda agradecerá.

​Para derrotar um governo que sufoca a economia e destrói o futuro do país, é preciso mais do que a imagem do pai no palanque: é preciso ter a coragem e a capacidade de mostrar como se governa o Brasil diante de uma máquina estatal pesada e de um Judiciário vigilante.

​A pergunta que fica para os marqueteiros da campanha é simples, mas indigesta: o objetivo é disputar um lugar na história ou realmente impedir o colapso do Brasil?

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